Caros seguidores,
Longe vão os tempos em que o dia da comunhão era uma grande festa. A 1ª Comunhão e a Comunhão Solene/Profissão de Fé eram realizadas no mesmo dia e na festa de São Pedro. Actualmente, além de não serem no dia da festa do Santo são em dias diferentes.
Muita coisa se mantém. Algumas bem, outras poderiam começar a fazer parte da história. Já falámos do hábito vergonhoso dos envelopes mas mais coisas são bastante caricatas e que podem passar ao plano do ridículo. Como, por exemplo, o facto de os miúdos terem que decorar as leituras e textos para dizerem no dia. Já assistimos a muito embaraço de miúdos que, em frente ao público e carregados de nervos, se enganam, ficam mudos com olhar de súplica em busca de um buraco para se esconderem. Claro que, aqueles que mais dificuldades têm em memorizar são deixados para canto. Normalmente são os bons alunos que lá vão na tentativa de brilhar. Mas nem sempre isso acontece e quem não se esquece desse momento para o resto da vida são os pobres coitados que lá estiveram.
Este ano a fanfarra atrasou a saída da procissão. Lá está, temos que formar uma fanfarra aqui na freguesia para evitar estes problemas. Não falta quem esteja habituado a agarrar-se ao pau ou à vara. E também há muitos que sabem tocar. É juntar a malta e formar a fanfarra d’ Agrela. Mas escolham uns uniformes mais modernos e esqueçam as botas brancas. A fazer uma coisa tem que ser à grande e com muito nível!
Este ano, os padrinhos, mas com as madrinhas em maioria, vinham a acompanhar os seus afilhados, de ramo na mão, pela rua acima. Parecia que os miúdos vinham com escolta. Ou estavam com medo que a garotada começasse a disparatar e fugisse dali para fora?
Cada vez há menos crianças e estamos a caminho de haver comunhões com meia dúzia de miúdos. O nosso pároco, diz ele que com ordens superiores, continua com a sua posição de que a comunhão não pode coincidir com outra celebração religiosa. Mas então nas freguesias das redondezas não há comunhões no dia do Corpo de Deus? Juntam-se assim duas festas numa. Aqui poderíamos voltar aos velhos tempos. Uma coisa era garantida: além de haver mais crianças na comunhão, juntando as duas no mesmo dia, as famílias com dois filhos em comunhões diferentes também tinham menos uma despesa e problema. Além disso, nunca haveria o problema de falta de Comissão de Festa de São Pedro. Já que os pais dessas crianças não deixariam que a festa terminasse. Era poupança nos foguetes, a enfeitar a igreja. Enfim, até se poupavam as comparações que agora ocorrem entre os tapetes de flores, os andores, os arranjos da igreja, etc., da 1ª Comunhão e da Comunhão solene. Ao que parece até os pais entram num género de despique. Acabaram-se as comunhões no dia de São Pedro e o Santo foi começando a ser esquecido. Somos da opinião que mais vale uma grande e boa festa do que 3 festas pequenas.
Venham as comunhões com noitada, festa rija e procissões completas e cheias de gente. O único problema disto é que as cabeleireiras teriam que fazer directa com tantas marcações para o mesmo dia. Era uma correria a noite toda para a Gusta e a Clarinda. Mas agora também já há mais escolha na terra.
O maior problema começa também a surgir pelo facto de a catequese não dar Magalhães nem de receberem um presente se passarem de ano na catequese. Estes miúdos de hoje em dia, que vivem na condição de fazer isto se receberem aquilo, são muitas vezes "chantageados" para irem à catequese. É que para eles, o dia da comunhão, é o dia em que vão receber presentes, vestir uma roupa nova, e ter uma festa. A igreja podia lançar uns MP3 com as orações em forma de música, tipo Kizombas e outras batidas. De certeza que decoravam mais facilmente a Salve-rainha e o Credo!



