Caros seguidores,
Agrela esteve ao rubro neste domingo com o 1º Rally de Carrinhos de Rolamentos organizado pela associação Estrelas da Serra. Desta vez, de nada valia chamar a polícia para correr com o povo ou mandar mangueiradas. E falando em povo, aquilo parecia uma verdadeira romaria. Estava lá tudo…ou quase tudo, claro. Há sempre alguns resistentes, outros que realmente não apreciam estas actividades e ainda há aqueles que até queria, mas não puderam ir. Vamos então fazer a nossa análise por partes.
Rampas: de manhã a palha foi grande amiga dos participantes. Nem todos foram capazes de fazer a curva final e espetaram-se contra aqueles fardos sem dó nem piedade. A 2ª rampa, que desce para a APPACDM, também se revelou bastante complicada para alguns. A palha lá estava, grande amiga dos pilotos que se mandavam a ela como burros esfomeados. A 3ª rampa foi a que promoveu menos despistes, mas ainda assim houve quem se mandasse contra os fardos. Houve pelo menos dois concorrentes que experimentaram os fardos das 3 rampas.Organização: Excelente. O sistema se sensores computadorizado com ecrã voltado para o público que controlava o tempo dos concorrentes deu um ar profissional ao evento. A lona de partida e chegada mostrou que não deixaram os pormenores ao acaso. E os bombeiros, sempre presentes e com serviço prestado, demonstrou mais uma vez que a segurança está sempre presente. Desde os fardos, às espumas e às grades, estava tudo realmente muito bem feito. Os nossos parabéns aos Estrelas da Serra pelo seu “profissionalismo” na organização das suas actividades. Estão a crescer a olhos vistos.
Público: Muita gente quis assistir à prova. O público protegeu-se atrás dos fardos de palha e das grades mas nem assim evitou que alguns levassem por tabela. Todos parecem ter gostado e, prova disso, é que não arredaram pé. Desde velhos a miúdos, todas compareceram. Os maiores aplausos surgiam dos tombos. Quando se ouvia muito barulho e muitas palmas era sinal de que alguém se tinha espalhado.
Tombos O que as pessoas realmente queriam ver era os tombos. E disso não se podem queixar. Desde quedas aparatosas a piões sem controlo até à queda de alguns elementos do público que levaram por tabela, foi uma fartura! Somos da opinião que, a haver nova prova, deverá de existir um prémio para o melhor tombo. Será bastante difícil de avaliar, já que são muitos, mas há candidatos que são mestres nesta área.
Carrinhos: Não faltou criatividade e variedade nos carrinhos que lá apareceram. Uns bastante apetrechados e cheios de sofisticação, outros que lembravam as verdadeiras carretas que a malta fazia há uns anos atrás (uma tábua, uma corda, um eixo e 4 rolamentos). Concordamos plenamente com o prémio para o carrinho mais original. Aquela “mota” primou pela diferença e era o único com 3 rolamentos. Há que dar os parabéns ao miúdo que nunca se estendeu no tapete em cima daquela viatura. Havia lá uma que, a nosso ver, de carreta nada tinha. Era um verdadeiro carro sem motor e que, em vez de rodas com pneus, tinha rolamentos. Este carro pertencia a outro campeonato. Enquanto que todos corriam no concelhio, alguns a aspirar o distrital, este carro era da primeira liga.
Prémios: o primeiro lugar foi atribuído ao dono da viatura de luxo e topo de gama. Ainda assim, a diferença de pouco mais de um segundo que teve, não justifica o investimento que ali deve de estar. Prova aqui que o piloto, realmente, faz muita diferença. E o 2º e 3º lugar foram para dois agrelenses que mostraram tomates e unhas para se meterem a toda a velocidade em cima daquelas geringonças. O prémio de carrinho mais original, como já referimos, foi para a “mota”. Os troféus estavam o máximo.
A registar: Apenas uma senhora se meteu neste rally “suicida”. Tal como no Raid BTT ela mostrou que a descer só é preciso que se arrumem da sua frente. Foi protagonista de um grande malho logo pela manhã, mas aquilo deve de ter aleijado que ela não repetiu a dose. Passou a tarde ilesa sem experimentar os fardos nas duas mangas de cada prova. Mais uma vez provou que homens com garganta há muitos, mas chegando há hora H, muito se acagaçam todos. Atenção, esta mulher promete revolucionar o universo feminino aqui na freguesia. E os homens têm que mostrar peito sem se amedrontarem. E o candidato mais velho que lá andava era o seu pai, o Mário do café, com a sua sucata que sofreu vários restauros ao longo da prova. No final até uma prancha de body board serviu de aplicação! É certo que o Mário já viveu alguns anos, mas ainda assim decidiu arriscar o couro e mostrar que carretas é para todas as idades. Deve de estar no sangue desta raça o desafio e a arrisque pelo tombo. Há ainda a salientar o facto de muita malta nova ter aderido a esta prova tendo trocado o computador e seus derivados por algumas horas (treinos e prova). Houve ainda um concorrente que, mesmo depois de ter feito uma visita ao hospital, continuou a prova cheio de garra e pronto para outra! Já na linha de partida, o Rafael, com uma tala no nariz, levava a crer que aquilo até devia de ser perigoso e que os treinos lhe tinham posto naquele estado. Viemos a confirmar que, afinal, o homem tinha sido operado há dias…
Até os tasqueiros da freguesia se dirigiram para lá. De manhã, os martinis com cerveja chegaram na mala de um carro e de tarde já havia outro concorrente. Se tivesse havido teste de álcool alguns pilotos arriscavam-se a não puder competir.
Grande dia, grande evento e os parabéns a todos os concorrentes, organização e público. Agrela está a acordar, finalmente!