As notícias voam aqui na freguesia. Sobretudo as que metem igreja, divórcios, desgraças, enfim, acho que todos sabemos o tipo de notícias a que nos referimos. Ontem chegou-nos aos ouvidos algo insólito. Então não é que o pessoal que acordou cedo para ir à missinha rezar por um mundo melhor acabou por não o poder fazer? Referimos-nos à missa das 9h. E para quem ainda não sabe, aqui vamos contar.
Estava o povo já sentadinho nos agora sempre lugares disponíveis que a igreja tem aguardando a aparição do nosso padre quando a sua ... a sua quê? Bem, a sua fiel colaboradora dos serviços religiosos, a quem todos temos algum agradecimento a fazer pelo muito que faz pela igreja, e não só, se dirigiu ao microfone para fazer um comunicado. Aliás, um triste comunicado: Hoje não vai haver missa. O senhor abade teve uma dor. Sim, foram estas as palavras aplicadas. Pois bem, temos mais é que desejar que a dor do senhor abade passe. Dor no corpo?! Na alma? Dor de costas? Dor de cabeça? Dor de barriga? Não sabemos. Foi uma dor. E deve de ter sido forte para não ter podido celebrar a missa. Com tanta coisa de mal que anda por aí os motivos para uma dor pode ser muitos. E por isso, como cantava a nossa saudosa Amália Rodrigues na música da Mariqunhas, " ....dar de beber à dor é o melhor ...". Um copito de bom vinho faz sempre bem a tudo.
Quanto ao anúncio temos um reparo a fazer. Não eram necessários mais esclarecimentos do que os que foram dados. Toda a gente tem os seus males, sofre das suas doenças e para isso é que existem atestados e baixas médicas. Mas o que é de salientar é a forma como o comunicado foi feito. Mostrou algum despreparo em fazer anúncios ao público. Achamos que o senhor precisa de uma porta voz mais preparada. Onde foi parar o "Bom dia"? Já não falamos em palavras de desculpa ou agradecimento pela presença de todos porque até nem era assim tão necessário e não havia nada para desculpar: de um momento para o outro todos podemos "ter uma dor". Um curso de relações púbicas para a senhora é merecido. Não haverá forma de o fazer pelas novas oportunidades?
De qualquer modo toda a gente percebeu bem o que aconteceu. Será que o senhor abade vai estar de baixa?! A idade também começa a pesar e as dores começam a ser mais frequentes com os anos. E um pedido de reforma, não?! Tanta gente a querer reformas antecipadas... e o senhor que já tem idade que chegue continua a trabalhar. Uns 8...outros 80. Afinal o senhor só está a seguir as medidas que as nossas economias pretendem: trabalhar até morrer. Vamos aguardar por esclarecimentos do seu estado de saúde e ver se a sua dor passa. E há dores do diabo! E como o próprio senhor anunciou numa missa de sábado aqui há pouco tempo: os diabos andam por aí. Pois, andam, andam. Nós sabemos bem!
Rápidas melhoras para o senhor. Sabemos que não falta quem se ofereça para lhe prestar os cuidados necessários, por isso estamos tranquilos.




