O dia de todos os Santos é aquele dia em que vemos muita gente na terra. Muita gente que já cá não vive, outros que nunca cá viveram e aqueles que embora por cá andem nunca são vistos. E o local de encontro é o cemitério. Pois bem, este dia é para recordarmos aqueles que já partiram (certamente para melhor sítio) e por isso é um dia para ser respeitado.

O tempo até ajudou e a missa contou com grande parte do seu público junto às campas dos seus familiares/amigos, o que quer que sejam. E antes mesmo de entrarmos no cemitério notamos logo numa coisa estranha. As meninas com as latas para colocarmos as moedinhas ou notinhas para a ajuda da Luta contra o Cancro eram estrangeiras. Mas então a cambada nova já não se dedica a este ofício neste dia?! Antigamente era uma festa poder nesse dia andar com uma lata enfiada no pescoço. Agora parece já não animar os mais novos... Uma coisa é certa. Aquela lata ao pescoço parece um badalo.
A crise chegou e instalou-se muito bem. Parece até não querer arredar pé durante os próximos anos. No que se refere aos arranjos no cemitério isso não se notou. Continua a haver quem neste dia até fique a dever para poder apresentar um aparatoso arranjo de flores. Não estamos aqui a dizer que não se deve de ter aquilo bonito, afinal de contas é um dia especial...mas haja bom-senso. Há até quem nunca lá ponha os pés durante todo o ano mas neste dia só falta pôr luzinhas a piscar nas campas. Gostos...
Temos dois reparos a fazer relativamente à missa. Em primeiro lugar a reclamação vai para o sistema sonoro. O padre ainda era audível no exterior. Embora no cemitério de baixo com muitíssima dificuldade. Já os leitores...nada! Ficou no esquecimento haver uma ligação dos microfones dos leitores. Mas muita gente nem deu por essa falha, pois o que queria era admirar as pessoas que por ali estavam. O outro reparo refere-se à menina mais nova, também ministra da comunhão, que não escolheu bem o calçado para a sua tarefa desse dia. Andava a menina numa missão de todo o terreno em cima de uns saltos de vários cm e bem fininhos, galgando campas, enterrando o salto no saibro e em constante desequilíbrio. Receamos que a menina caísse e se espatifasse em cima de um bonito arranjo ou pior, se queimasse em cima das muitas velas que estavam em cim das sepulturas. Para a próxima será melhor arranjar umas sapatilhas já que se trata de uma prova de perícia complicada.
E assim se passou mais um domingo em que muitas senhoras saíram à rua com a sua roupa nova ou a melhor que tinham no armário. Muito cortar na casa ouvimos. Ou era porque aquela campa tinha um arranjo assim, ou porque aquela (e) apareceu no cemitério com a (o) sua (seu) nova (o) companheira (o)... um dia que bem rentabilizado se tinha tricotado uma manta bem grande. E por um domingo os shoppings estiveram mais vazios...




